quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

...

"…E os meus olhos inundaram-se de suor
Na mais perfeita convalescença
E se perderam nos presentes
Ao ignorarem a sua presença…
Recordo gente que não conheço
Que nem sabe que existo
Tento viver vidas que não são minhas
De seguida recolho-me,
Mereço, descanso imerso
Autenticidade ao rubro dos inocentes
Percebe-se o que é errado
Mas nada se faz para mudar
Cansa demais mudar, aquilo que damos como certo
Desperdiça-se tempo a contrariar
Aquilo que se contraria no verbo amar
Gente que esboça ternura
Numa tela preta, com fundo de falsidade
Mudam-se os vencidos com o tempo
Tornam-se os bandidos do seu vento
E sopram com leveza
Tudo o que queremos na vida
Nada mais que a beleza
Seja ela de que cor for
Venha ela de onde vier
A beleza da vida não é um tesouro escondido
Seja perdido antes de encontrá-lo
Mas escondido não, nunca o é
E se a encontrarmos num acto de perdição
E a voltarmos a perder por meio de ventos fortes
É porque já a havíamos perdido no enlace dos amores
Que deitámos aos boatos e aos rumores…"

4 comentários:

  1. Cortando o ar?
    Hum!
    Para mim a beleza pode ser uma gazela, mas não corta, apenas goza o ar.

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  2. Teresa. Compreendo o seu ponto de vista. Eu só imaginei uma beleza vertiginosa rompendo o ar em duas tiras.
    O gozo disso está na nossa cabeça. Também aprecio os seus poemas. Ensina português?

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  3. olá,

    venho agradecer a sua visita ao «fotogrog», faço-o sempre que alguém me visita pela primeira vez. como reparou não é bem um blog, é uma espécie de memória fotográfica a preto&branco de coisas que me marcam (sobretudo as plantas, o tejo, as janelas e as ruas de lisboa).

    a preto&branco funciona também o «palavrog», que gostava que visitasse, que também não é bem um blog, é uma homenagem às palavras (as minhas e as alheias) de que gosto, as tais que valem mil imagens...

    ... e quanto ao que li seu, parece-me que também podia ser poeta noutros dias da semana!
    :-)

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