Jarras de pura poesia
Olham de iluminação
Sofrem de tais vivências
Ébrias de tanto coração
Louco é o poeta
Um ávido de palavras
Ínclitas de sublimação
Soltas de elocução
Bebem-se à mesa fábulas
Obrigadas a não se completarem
Recebem-se os incertos
Garridos de grafemas
Encontrados em poemas
Sem haver livros abertos.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
A pedido de José Luís
Chá das cinco com cinco ícones
Quando cheguei ao salão
Já lá se encontrava Wilde,
Dilacerava com alguma tristeza
Mas com afinco o seu amor submisso,
Enquanto o ouvia com ternura
Chegou Chopin e sentou-se ao piano
Preferiu acenar-me em escala diatónica
E eu conheci toda a história de uma sinfonia
Quando dei conta à minha esquerda
Encontrava-se Miró
Evitou cumprimentar-me, mas só depois percebi
Expressou-se da sua forma
De cores e pincéis em imagens sublimes
Só se deteve na entrada de Pessoa
Que declamou poesia
Reclamando que não bebia chá
E que nem sabia qual dos irmãos seria
Quando me levantei para ir embora
Recebi um bilhete do empregado
Era Shakespeare a combinar um encontro a sós.
Quando cheguei ao salão
Já lá se encontrava Wilde,
Dilacerava com alguma tristeza
Mas com afinco o seu amor submisso,
Enquanto o ouvia com ternura
Chegou Chopin e sentou-se ao piano
Preferiu acenar-me em escala diatónica
E eu conheci toda a história de uma sinfonia
Quando dei conta à minha esquerda
Encontrava-se Miró
Evitou cumprimentar-me, mas só depois percebi
Expressou-se da sua forma
De cores e pincéis em imagens sublimes
Só se deteve na entrada de Pessoa
Que declamou poesia
Reclamando que não bebia chá
E que nem sabia qual dos irmãos seria
Quando me levantei para ir embora
Recebi um bilhete do empregado
Era Shakespeare a combinar um encontro a sós.
No soalho de uma casa senhorial
Viviam-se as conversas de poesia
Segredavam-se os beijos proibidos
Guardavam-se canções de amor.
Quando o amor se descobriu
Os beijos prenderam-se
Os monólogos sucederam-se
A tejoleira sobrepôs-se
Vieram as carpetes e os tapetes
Todas as farsas com alfinetes
De peito e de despeito
Transformou-se o leviano
Em farinha de pão mundano.
Viviam-se as conversas de poesia
Segredavam-se os beijos proibidos
Guardavam-se canções de amor.
Quando o amor se descobriu
Os beijos prenderam-se
Os monólogos sucederam-se
A tejoleira sobrepôs-se
Vieram as carpetes e os tapetes
Todas as farsas com alfinetes
De peito e de despeito
Transformou-se o leviano
Em farinha de pão mundano.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Finalmente...
Tenho de me redimir, pois tanto tempo sem vir a este espaço é sem dúvida uma falta de respeito para com os meus possíveis leitores. Desculpem!
A minha vida não tem sido nada fácil, chego a trabalhar por volta de 13 horas por dia, nas férias do Natal e de Passagem de Ano há sempre imensa coisa a tratar e imensa gente a quem dar a atenção que foi escassa durante longos meses. E o início do ano é sempre uma azáfama inerente ao regresso do que se deixou por fazer enquanto se esteve de férias.
Finalmente consegui tempo, tempo de qualidade que devia a este blog.
Finalmente consigo desejar-vos Bom Ano 2010, que a prosperidade e a esperança se mantenham nos vossos corações.
Um presente, confidencio-vos em sussuro um dos poemas que me fez amar.
Madrigal Melancólico, de Manuel Bandeira
“O Que Eu Adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento.
Graça que perturba e que satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.
O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.”
A minha vida não tem sido nada fácil, chego a trabalhar por volta de 13 horas por dia, nas férias do Natal e de Passagem de Ano há sempre imensa coisa a tratar e imensa gente a quem dar a atenção que foi escassa durante longos meses. E o início do ano é sempre uma azáfama inerente ao regresso do que se deixou por fazer enquanto se esteve de férias.
Finalmente consegui tempo, tempo de qualidade que devia a este blog.
Finalmente consigo desejar-vos Bom Ano 2010, que a prosperidade e a esperança se mantenham nos vossos corações.
Um presente, confidencio-vos em sussuro um dos poemas que me fez amar.
Madrigal Melancólico, de Manuel Bandeira
“O Que Eu Adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento.
Graça que perturba e que satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.
O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.”
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