De novo se fez noite,
Como o leve acordar do dia,
De novo novamente
Mais um dia de repente
De repente foi um dia
Um dia e mais outro
Mais outro outra vez
De rompante foi um mês
Foi um mês e mais outro,
E tanta tanta vez
Repetimos a proeza
De escrevermos sem certeza
Incerteza dos dias
Das auroras e anoiteceres
Sou mais um ser vadio
Encobri aquele que omitiu
Omitiu que a noite
Nasceu primeiro que o dia
E foi assim que de repente
Voltou, novamente!
terça-feira, 12 de outubro de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
Domingo...
Domingos leva-os o vento...
Estou cansada, mas há algo a partilhar:
Eu sou eu,
Eu sou eu e pronto!
Porque é que eu não posso ser tu?
Ora, porque sou eu
E eu sou eu!
Mas eu posso ser ele?
Não, eu sou eu
E não posso ser ele.
E tu não podes ser eu?
Nem ele pode ser eu?
Oh
Mas espera se eu sou eu
Se eu sou mesmo eu
Isso é bom?
Eu sou eu
Tu és tu
Ele é ele
Sejamos altos ou magros ou gordos ou baixos
Sejamos tótós ou bonitos ou fixes ou feios
Eu sou eu
Tu és tu
Ele é ele
Eu não preciso de ser tu, nem de ser ele
E nem tu nem ele precisam de ser eu
Afinal eu sou eu
E gosto!
Uma poesia que possivelmente vai integrar um projecto que se chama O Eu no Museu.
Estou cansada, mas há algo a partilhar:
Eu sou eu,
Eu sou eu e pronto!
Porque é que eu não posso ser tu?
Ora, porque sou eu
E eu sou eu!
Mas eu posso ser ele?
Não, eu sou eu
E não posso ser ele.
E tu não podes ser eu?
Nem ele pode ser eu?
Oh
Mas espera se eu sou eu
Se eu sou mesmo eu
Isso é bom?
Eu sou eu
Tu és tu
Ele é ele
Sejamos altos ou magros ou gordos ou baixos
Sejamos tótós ou bonitos ou fixes ou feios
Eu sou eu
Tu és tu
Ele é ele
Eu não preciso de ser tu, nem de ser ele
E nem tu nem ele precisam de ser eu
Afinal eu sou eu
E gosto!
Uma poesia que possivelmente vai integrar um projecto que se chama O Eu no Museu.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Ouvi dizer...
Não, não vou falar na tão badalada (e bonita, tenho de admitir) música dos Ornatos Violeta...
Hoje ouvi dizer que desde a década de setenta não se sente o espírito do belo, de conspirar a beleza, dos copos de poesia e das esquinas filósofas.
Eu, enquanto ouvia, desejava ter vivido nessa época. Ter feito letras revolucionárias e ter chorado cravos vermelhos.
Enfim, uns viveram e têm saudades, outros não viveram e também têm saudades.
Hoje ouvi dizer que já não se sorri como antigamente. Ninguém dá um sorriso, apenas pelo prazer de dar e de sorrir.
Eu, enquanto ouvia, concordava acenando com a cabeça. Pensei no meu próprio eu e envergonhei-me.
Enfim, uns sorriram e têm saudades, outros nunca sorriram e também têm saudades.
No fim da conversa, senti que aquele filósofo de plantas estava meio zangado com a sociedade e desiludido com o mundo. Talvez por isso se tenha dedicado às plantas e às palavras.
Eu, sem querer, segui-lhe o trilho e dediquei-me à escrita sem ser domingo.
Bem hajam...
Hoje ouvi dizer que desde a década de setenta não se sente o espírito do belo, de conspirar a beleza, dos copos de poesia e das esquinas filósofas.
Eu, enquanto ouvia, desejava ter vivido nessa época. Ter feito letras revolucionárias e ter chorado cravos vermelhos.
Enfim, uns viveram e têm saudades, outros não viveram e também têm saudades.
Hoje ouvi dizer que já não se sorri como antigamente. Ninguém dá um sorriso, apenas pelo prazer de dar e de sorrir.
Eu, enquanto ouvia, concordava acenando com a cabeça. Pensei no meu próprio eu e envergonhei-me.
Enfim, uns sorriram e têm saudades, outros nunca sorriram e também têm saudades.
No fim da conversa, senti que aquele filósofo de plantas estava meio zangado com a sociedade e desiludido com o mundo. Talvez por isso se tenha dedicado às plantas e às palavras.
Eu, sem querer, segui-lhe o trilho e dediquei-me à escrita sem ser domingo.
Bem hajam...
quinta-feira, 29 de abril de 2010
De manhã
Fala-se do regime republicano,
Das suas escolas e dos seus professores.
À tarde falar-se-á da poesia de José Régio.
Saudações
Das suas escolas e dos seus professores.
À tarde falar-se-á da poesia de José Régio.
Saudações
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Azáfama
Por meio de conferências, escolas, alunos, visitas de estudo, esplanadas, ginásio, trabalhos e relatórios além de me sentir cansada sinto que o meu dia devia ter 48h, mas não tem, infelizmente não tem.
Tenho descuidado o blog, mas não a poesia, a leitura, a música...
E tenho escrito ao domingo, porém de lápis sobre o papel.
Quem me tem andado a influenciar são os sensuais Karamazov, especialmente Mitia.
A meu amor
Meu amor queria eu dizer-te tanto,
Mas meu peito acolhe o pranto
Do sofrimento efémero juvenil
E me faz sentir cada vez mais vil.
Vil ser nefasto se apodera de mim
E teu coração bonito não merece
Que eu me dê a tal afecto
Que da tua ternura carece.
Mas eu, meu amor, te esquecerei
Nada mais quero que o teu bem
Que te não esqueças deste amor
Embora queiras outros e os ames
Eu de minha parte, assim, farei também
Mas nunca com tal ditame ardor.
Bem hajam...
Tenho descuidado o blog, mas não a poesia, a leitura, a música...
E tenho escrito ao domingo, porém de lápis sobre o papel.
Quem me tem andado a influenciar são os sensuais Karamazov, especialmente Mitia.
A meu amor
Meu amor queria eu dizer-te tanto,
Mas meu peito acolhe o pranto
Do sofrimento efémero juvenil
E me faz sentir cada vez mais vil.
Vil ser nefasto se apodera de mim
E teu coração bonito não merece
Que eu me dê a tal afecto
Que da tua ternura carece.
Mas eu, meu amor, te esquecerei
Nada mais quero que o teu bem
Que te não esqueças deste amor
Embora queiras outros e os ames
Eu de minha parte, assim, farei também
Mas nunca com tal ditame ardor.
Bem hajam...
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
O acróstico prometido José Luís Borges
Jarras de pura poesia
Olham de iluminação
Sofrem de tais vivências
Ébrias de tanto coração
Louco é o poeta
Um ávido de palavras
Ínclitas de sublimação
Soltas de elocução
Bebem-se à mesa fábulas
Obrigadas a não se completarem
Recebem-se os incertos
Garridos de grafemas
Encontrados em poemas
Sem haver livros abertos.
Olham de iluminação
Sofrem de tais vivências
Ébrias de tanto coração
Louco é o poeta
Um ávido de palavras
Ínclitas de sublimação
Soltas de elocução
Bebem-se à mesa fábulas
Obrigadas a não se completarem
Recebem-se os incertos
Garridos de grafemas
Encontrados em poemas
Sem haver livros abertos.
A pedido de José Luís
Chá das cinco com cinco ícones
Quando cheguei ao salão
Já lá se encontrava Wilde,
Dilacerava com alguma tristeza
Mas com afinco o seu amor submisso,
Enquanto o ouvia com ternura
Chegou Chopin e sentou-se ao piano
Preferiu acenar-me em escala diatónica
E eu conheci toda a história de uma sinfonia
Quando dei conta à minha esquerda
Encontrava-se Miró
Evitou cumprimentar-me, mas só depois percebi
Expressou-se da sua forma
De cores e pincéis em imagens sublimes
Só se deteve na entrada de Pessoa
Que declamou poesia
Reclamando que não bebia chá
E que nem sabia qual dos irmãos seria
Quando me levantei para ir embora
Recebi um bilhete do empregado
Era Shakespeare a combinar um encontro a sós.
Quando cheguei ao salão
Já lá se encontrava Wilde,
Dilacerava com alguma tristeza
Mas com afinco o seu amor submisso,
Enquanto o ouvia com ternura
Chegou Chopin e sentou-se ao piano
Preferiu acenar-me em escala diatónica
E eu conheci toda a história de uma sinfonia
Quando dei conta à minha esquerda
Encontrava-se Miró
Evitou cumprimentar-me, mas só depois percebi
Expressou-se da sua forma
De cores e pincéis em imagens sublimes
Só se deteve na entrada de Pessoa
Que declamou poesia
Reclamando que não bebia chá
E que nem sabia qual dos irmãos seria
Quando me levantei para ir embora
Recebi um bilhete do empregado
Era Shakespeare a combinar um encontro a sós.
No soalho de uma casa senhorial
Viviam-se as conversas de poesia
Segredavam-se os beijos proibidos
Guardavam-se canções de amor.
Quando o amor se descobriu
Os beijos prenderam-se
Os monólogos sucederam-se
A tejoleira sobrepôs-se
Vieram as carpetes e os tapetes
Todas as farsas com alfinetes
De peito e de despeito
Transformou-se o leviano
Em farinha de pão mundano.
Viviam-se as conversas de poesia
Segredavam-se os beijos proibidos
Guardavam-se canções de amor.
Quando o amor se descobriu
Os beijos prenderam-se
Os monólogos sucederam-se
A tejoleira sobrepôs-se
Vieram as carpetes e os tapetes
Todas as farsas com alfinetes
De peito e de despeito
Transformou-se o leviano
Em farinha de pão mundano.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Finalmente...
Tenho de me redimir, pois tanto tempo sem vir a este espaço é sem dúvida uma falta de respeito para com os meus possíveis leitores. Desculpem!
A minha vida não tem sido nada fácil, chego a trabalhar por volta de 13 horas por dia, nas férias do Natal e de Passagem de Ano há sempre imensa coisa a tratar e imensa gente a quem dar a atenção que foi escassa durante longos meses. E o início do ano é sempre uma azáfama inerente ao regresso do que se deixou por fazer enquanto se esteve de férias.
Finalmente consegui tempo, tempo de qualidade que devia a este blog.
Finalmente consigo desejar-vos Bom Ano 2010, que a prosperidade e a esperança se mantenham nos vossos corações.
Um presente, confidencio-vos em sussuro um dos poemas que me fez amar.
Madrigal Melancólico, de Manuel Bandeira
“O Que Eu Adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento.
Graça que perturba e que satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.
O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.”
A minha vida não tem sido nada fácil, chego a trabalhar por volta de 13 horas por dia, nas férias do Natal e de Passagem de Ano há sempre imensa coisa a tratar e imensa gente a quem dar a atenção que foi escassa durante longos meses. E o início do ano é sempre uma azáfama inerente ao regresso do que se deixou por fazer enquanto se esteve de férias.
Finalmente consegui tempo, tempo de qualidade que devia a este blog.
Finalmente consigo desejar-vos Bom Ano 2010, que a prosperidade e a esperança se mantenham nos vossos corações.
Um presente, confidencio-vos em sussuro um dos poemas que me fez amar.
Madrigal Melancólico, de Manuel Bandeira
“O Que Eu Adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
- Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento.
Graça que perturba e que satisfaz.
O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.
O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.”
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